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Procurador garante que não apoiará acordão Correio da Bahia
O procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, afirmou que um possível acordão na Câmara Federal não fará com que os deputados envolvidos no escândalo saiam impunes. "É importante dizer que o MP já está agindo e que as provas que estão chegando à CPI são compartilhadas conosco. Por isso, ao final das CPIs dos Bingos, Correios e do Mensalão pode acontecer de nós continuarmos com nossas diligências. Dessa vez estamos caminhando juntos", disse.
Ele anunciou ontem, em Salvador, onde participou do encerramento do IV Congresso Brasileiro de Direito Constitucional Aplicado, que pedirá o adiamento do prazo para encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) as investigações sobre corrupção na Câmara Federal. "Há um prazo inicial de 30 dias para o cumprimento das diligências complementares, mas elas são extremamente complexas, por conta do número imenso de documentos e de atividades de empresas que precisam ser apreciadas e, por isso, acreditamos que esse prazo precisa ser maior".
A informação veio seguida da observação de que as investigações correm em segredo de Justiça por determinação do ministro Márcio Thomaz Bastos. "Por isso tenho dito pouco sobre as investigações, mas elas estão a todo o vapor e envolvendo vários organismos". Quando questionado sobre a consistência dos depoimentos colhidos do publicitário Marcos Valério, e do tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, Antônio Fernando, que os ouviu em separado, afirmou que ambos apresentaram uma versão própria para os fatos e que o MP não se contenta com versões.
"Queremos apurar a verdade. Tanto é que nosso trabalho não está centrado apenas na linha de que se trata apenas de caixa dois de campanha". Fernando de Souza afirmou que está trabalhando com uma hipótese mais ampla, inclusive de corrupção. A responsabilização criminal dos 18 deputados apontados como envolvidos no esquema, segundo ele, não tem nenhuma relação com as investigações que estão sendo feitas pela CPI.
"A CPI é de responsabilidade dos parlamentares e não tem nenhuma relação com o trabalho do Ministério Público. A investigação que estamos fazendo é que tem o objetivo de recolher elementos suficientes para oferecer denúncia criminal e responsabilidade civil. Evidentemente que essa é uma investigação mais profunda que ainda não temos dados suficientes. Por isso as investigações continuam".
Sobre a comissão que apura `mensalinho´ na Corregedoria da Câmara e que estaria com a credibilidade ameaçada pela proximidade do corregedor, deputado Ciro Nogueira com Severino Cavalcanti, o procurador afirmou tratar-se de uma dimensão diferente. "Enquanto a CPI dos Correios, do Mensalão e dos Bingos investiga fatos múltiplos e variados, que repercute em diversas pessoas, esse episódio tem uma relação direta entre um concessionário da área pública e o presidente da Câmara".