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Parlamento aprova lei para combater a onda de suicídios no Japão


Juan Antonio Sanz
Tóquio, 15 jun (EFE).- O Parlamento japonês aprovou hoje uma lei
básica para enfrentar a onda de suicídios que faz do Japão o país
com a maior taxa deste tipo de morte no mundo industrializado.

A Lei, apresentada por um grupo de juristas que buscam medidas de
prevenção dos suicídios, foi aprovada nesta quinta-feira pelo
Senado. Assim como na Câmara Baixa do Parlamento, ela teve o apoio
unânime dos legisladores.

Esta normativa demonstra o alarme social criado no Japão após o
aumento vertiginoso de determinados tipos de suicídios, como os
chamados "pactos de morte" pela internet, em que várias pessoas
planejam uma morte conjunta.

Em seus principais artigos, a norma pede aos Governos locais que
trabalhem lado a lado com o Estado, para aplicar as medidas
preventivas necessárias no sistema educativo, nos postos de trabalho
e em outros setores da sociedade japonesa.

Além disso, a regra demanda a realização de mais pesquisas e
estudos sobre a prevenção dos suicídios, além do aumento de
escritórios de atendimento médico e psicológico.

A lei promove assistência aos sobreviventes e aos parentes de
pessoas que se suicidaram.

O texto aprovado pede ao Governo que formule uma política de
prevenção e apresente um relatório anual sobre suicídios ao
Parlamento. A norma solicita também a criação de um gabinete
governamental encabeçado por um ministro porta-voz, que aplique e
supervisione as medidas propostas pela nova Lei.

Em dezembro de 2005, o Executivo do Japão fixou uma série de
medidas para acabar com a onda de suicídios desencadeada no país nos
últimos tempos. O objetivo era reduzir o número atual, superior a 30
mil casos anuais, para 25 mil ou menos em uma década.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que o Japão é o país
com o maior número de suicídios por ano, com 24,1 casos para cada
100 mil pessoas.

Só em 2005, 32.552 pessoas se suicidaram no país, 0,7% a mais que
em 2004.

As razões são muito variadas: desde o assédio nas escolas e
universidades, dificuldades para encontrar trabalho, pressão de uma
sociedade rígida em muitas convenções sociais, até o sentimento de
inutilidade de muitos aposentados.

Neste sentido, a maior parte dos suicídios no Japão corresponde a
pessoas que não são jovens.

Segundo as estatísticas governamentais, 70% dos suicídios de 2005
foram realizados por homens e mais da metade eram indivíduos com
mais de 50 anos.

No entanto, este tipo de morte aumentou 9,8% em 2005 entre os
estudantes, totalizando 861, sendo 433 universitários, sete
estudantes do ensino fundamental e 281 do ensino médio.

Além disso, os casos de morte planejados via internet subiram nos
últimos anos. Estes suicídios costumam ser em grupo e o meio mais
utilizado é a asfixia por inalação de gases tóxicos.

Os suicidas se conhecem na internet, se reúnem, alugam um
automóvel, fecham suas portas e janelas em um campo aberto, e, após
se acomodarem em seus assentos, acendem vários cigarros para que a
inalação de monóxido de carbono seja letal.

Em 2005, os "pactos de morte" dispararam no Japão, com 91 mortos
em 34 suicídios coletivos.

Dos 91 que se mataram, 54 eram homens e 37 mulheres. Entre eles,
71 pessoas tinham entre 20 e 40 anos. Segundo fontes policiais,
todos os encontros foram combinados pela internet.

Com isso, o número de suicídios coletivos combinados pela rede
triplica em relação à 2003, quando o departamento de estatísticas da
Polícia japonesa começou a catalogar esses dados.

Atualmente, muitas companhias de internet fornecem informação à
Policia sobre as mensagens de potenciais suicidas.

Embora as autoridades planejam fechar essas páginas, seus
promotores argumentam que sua ajuda é imprescindível para o
crescente número de pessoas que sofrem de solidão no Japão.