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Renan diz que Constituição não permite que presidente seja investigado por CPI


Agência Senado

O artigo 86, parágrafo 4º, da Constituição Federal impede o presidente da República de ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções na vigência de seu mandato. Com esse argumento, apresentado à imprensa enquanto segurava um volume da Constituição, o presidente do Senado, Renan Calheiros, informou na manhã desta terça-feira (23/5) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderá ser objeto de investigação promovida pela CPI proposta pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE).

O senador recolheu assinaturas com o objetivo de ser instalada, no Senado, uma CPI destinada a investigar o pagamento, pelo presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, de uma dívida de R$ 29,4 mil que o presidente da República teria para com o PT. Como exemplo de que um governante não pode ser investigado, Renan lembrou que o ex-presidente Fernando Collor não chegou a ser alvo das investigações, mas sim, Paulo César Farias, tesoureiro da campanha de Collor.

"Com relação a essa CPI, não temos outra opção senão colocar em prática o artigo 86 parágrafo 4º, da Constituição. O artigo diz claramente que o presidente da República não pode ser investigado por atos que não digam respeito às suas funções. De modo que não há outro caminho senão pôr isso em prática" enfatizou Renan.

Na mesma entrevista, o presidente do Senado foi questionado sobre a CPI dos Sanguessugas _destinada a investigar um possível envolvimento de parlamentares em fraudes de licitações para compra de ambulâncias com recursos do Orçamento da União_, cuja criação depende apenas de sua análise sobre o cumprimento dos requisitos constitucionais para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito.

"Ainda vou conversar com o presidente (da Câmara dos Deputados) Aldo (Rebelo), mandar conferir as assinaturas, verificar se há fato determinado, se há o preenchimento dos pressupostos constitucionais e decidir o que fazer. Nós temos que verificar primeiro se essa CPI preenche os pressupostos constitucionais. Segundo, se os fatos estão sendo investigados na Polícia Federal e nas corregedorias das duas Casas, além da fixação da despesa. São medidas de praxe, mas ainda não há uma decisão com relação a isso" disse.

Os jornalistas disseram que o PV e o PPS têm alegado que há fato determinado e número suficiente de assinaturas para a criação da CPI dos Sanguessugas, embora já esteja sendo realizado no Congresso um movimento para que os parlamentares que assinaram o requerimento retirem suas assinaturas. Renan reiterou que só tomará uma decisão depois de tomadas as providências previstas no Regimento.

O presidente do Senado foi também indagado se colocará esse requerimento em votação na sessão do Congresso desta terça. Ele explicou que a sessão agendada destina-se a votar modificações no Plano Plurianual, assim como as novas normas que permitirão ao país ter "um orçamento mais claro, mais aberto e mais limpo". A decisão sobre a CPI dos Sanguessugas ficará, portanto, para outra oportunidade, mas poderá acontecer logo.